terça-feira, 27 de março de 2018

Infinita(mente)


Infinita(mente)


Para ele, enamorar o céu era a salvação
A poeta se contentava com o bloco de papel
Firmes canetas em seu envelhecido tinteiro
E uma prazerosa taça de vinho seco

Seca de palavras, apenas inspirações
A lembrança daquele sonoro olhar
Era a imagem perfeita da distração
Transpiração em imagem dual, carnal

Carregada de imaginárias cores
Na monocromática sequência do pensar
Que por hora, eram ruídos de sonhos
(Des)conexos ao pensamento real

Ele ali, deitado, olhando para o céu
Uma escultura contemplativa
De quereres em imortal(idade)
Inerte, pensando na in(finita) vida

A escrevinhadora infinita(mente) pálida
Sucumbiu no total alento
Em doses (in)conscientes e vívidas
Vividas na observação do deus

Era efêmera e simbiótica sensação
Entre sabores não sentidos
Vozes não ouvidas, face não tocada  
Apenas beleza em contemplação

Perene era a alma fotografada
Sem escassez de sorriso
Que velejava doce(mente) leve...
Até o bravo tempo se despertar

Derramando a taça sobre a mesa
Sangrando a solitária folha de papel
Da poeta que insana(mente) sonhou
Versando poemas na nudez da pele.



Poema: Celeste Farias
Imagem/Modelo: Diego Fernando 

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