terça-feira, 27 de março de 2018

Infinita(mente)


Infinita(mente)


Para ele, enamorar o céu era a salvação
A poeta se contentava com o bloco de papel
Firmes canetas em seu envelhecido tinteiro
E uma prazerosa taça de vinho seco

Seca de palavras, apenas inspirações
A lembrança daquele sonoro olhar
Era a imagem perfeita da distração
Transpiração em imagem dual, carnal

Carregada de imaginárias cores
Na monocromática sequência do pensar
Que por hora, eram ruídos de sonhos
(Des)conexos ao pensamento real

Ele ali, deitado, olhando para o céu
Uma escultura contemplativa
De quereres em imortal(idade)
Inerte, pensando na in(finita) vida

A escrevinhadora infinita(mente) pálida
Sucumbiu no total alento
Em doses (in)conscientes e vívidas
Vividas na observação do deus

Era efêmera e simbiótica sensação
Entre sabores não sentidos
Vozes não ouvidas, face não tocada  
Apenas beleza em contemplação

Perene era a alma fotografada
Sem escassez de sorriso
Que velejava doce(mente) leve...
Até o bravo tempo se despertar

Derramando a taça sobre a mesa
Sangrando a solitária folha de papel
Da poeta que insana(mente) sonhou
Versando poemas na nudez da pele.



Poema: Celeste Farias
Imagem/Modelo: Diego Fernando 

quinta-feira, 15 de março de 2018

Madrugada Camponesa - Tarancón Poema Thiago de Mello.wmv



MADRUGADA CAMPONESA

Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.
A noite já foi mais noite
a manhã já vai chegar.

Não vale mais a canção
feita de medo e arremedo
para enganar solidão
Agora vale a verdade
cantada simples e sempre
agora vale a alegria
que se constrói dia a dia
feita de canto e de pão.

Breve há de ser
sinto no ar
tempo de trigo maduro
vai ser tempo de ceifar
Já se levantam prodígios
chuva azul no milharal,
estala em flor o feijão
um leite novo minando
no meu longe seringal.

Madrugada da esperança
já é quase tempo de amor
colho um sol que arde no chão,
lavro a luz dentro da cana
minha alma no seu pendão.

madrugada Camponesa
faz escuro (já nem tanto)
vale a pena trabalhar
faz escuro, mas eu canto
porque a manhã vai chegar.
© THIAGO DE MELLO 
In Faz escuro mas eu canto, 1965 

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